| + Entrevista | ||
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| 1) Oficina
HQ: Como sabemos que você está cheio de novidades,
vamos começar perguntando sobre isso. O que o Estúdio CEDRAZ está trazendo de novidade pra nós? Estamos sabendo que tem lançamento de novas histórias? Cedraz: Além de Xaxado Ano 2, vamos publicar, ainda este ano, outros livros; Lendas e Mistérios da Turma do Xaxado (com histórias da turma contracenando com figuras do folclore), A história do Pelourinho em quadrinhos, Histórias Fantásticas da Turma do Xaxado (coleção de 6 livros), Turma do Xaxado vol. 4 e a reedição dos livros Turma do Xaxado vol. 1 e 2. Pretendemos publicar uma revistinha da turma para venda em escolas e bancas. UFA! 2) Oficina HQ: Você é um cara que está na estrada há muito tempo. Conta pra nós quantos anos de carreira você tem e desde quando você gosta de Quadrinhos? Você desenhava e lia quadrinhos quando pequeno? Cedraz: Comecei a me interessar por desenhos aos 16 anos e hoje já completei 60 anos de idade. Dá para imaginar o tempo que estou na estrada. Quando eu era pequeno não conhecia quadrinhos, nem livros. Eu morava numa vila muito pequena e só após os 12 a 14 anos é que fui para uma cidade onde conheci essas novidades e confesso que me apaixonei. Eram três coisas que me fascinavam; Quadrinhos, Cinema e livros. 3) Oficina HQ: Se você lia, conta quais eram os personagens de quadrinhos ou de TV que você curtia. Quais eram suas referências. O que curtia ver ou ler? Hoje os jovens que gostam de Quadrinhos admiram muito Frank Miller, Alan Moore, por exemplo. Quando você estava começando, haviam artistas específicos que você admirava? Não me refiro a cópia, mas a admiração, leitura. Cedraz: Meus personagens preferidos foram: Tarzan, histórias do faroeste, Superman e depois histórias desenhadas pelos brasileiros Orlando Pizzi, Ygaiara, Izomar, Edmundo Rodrigues, Getúlio Delfim etc. 4) Oficina HQ: E como foi trabalhar com Quadrinhos? Tirinhas? Você foi autodidata? Quando começou a publicar? Conta pra nós essa história ai.. Cedraz: Poxa! Profissionalmente só comecei a desenhar já aqui em Salvador nos jornais A Tarde, e Jornal da Bahia. Cheguei a fazer 2 anos de Faculdade de Belas Artes mas por falta de tempo (era bancário e trabalhava 8 a 10 horas por dia) tive que abandonar o curso. Aprendi mesmo copiando e observando os grandes artistas dos quadrinhos. Foi um desafio fazer tirinhas. No início achava que eu não ia dar conta mas depois de um período eu peguei a manhã e me saí bem. Atualmente não faço sozinho as tiras diárias do Xaxado. 5) Oficina HQ: Você faz um caminho bem diferente da maioria dos artistas que trabalham com quadrinhos uma vez que optou por criar seus personagens ao invés de trabalhar na produção de personagens americanos. Como foi essa Escolha. Sabemos que tem um preço em ir por este caminho. Qual o saúdo dessa escolha. Cedraz: Acredito que foi a chance que apareceu. Na época que comecei ainda não tinha esse negócio de fazer personagens de terceiros. Quase todo desenhista tinha seu personagem e comigo foi igual. 6) Oficina HQ: Sabemos que o desenvolvimento cultural de um país diz muito da cultura desse povo, da educação, da condição econômica social. Assim, as vezes eu penso sobre o desenvolvimento do Cinema brasileiro, da música. Se observarmos a divulgação, o crescimento dessas duas artes, por exemplo, podemos observar que apesar de estar a anos luz na frente dos quadrinhos, seu crescimento no que diz respeito a divulgação e valorização (dentro e fora do país) é recente. Somos um país que consome muito o que vem de fora. Você consegue, refletir sobre essa aceitação X produção nacional? Você acha que é fácil entender porque essas artes ainda estão nesse processo de conquistar seu próprio público? E os quadrinhos nesse contexto? Cedraz: Realmente o povo brasileiro dá mais valor ao que vem de fora. Parece qua não temos auto-estima. Quando o povo brasileiro conseguir enxergar melhor a nossa cultura, teremos então um cinema e um quadrinho de primeira. Com a aceitação da Turma do Xaxado está acontecendo uma coisa engraçada; parece que estão descobrindo esse sentimento de brasilidade. As escolas estão utilizando nossos personagens de um modo que me surpreende e é justamente por ser brasileiro. Será que nós autores também não temos culpa. Dificilmente um autor faz um filme ou uma história enaltecendo o nosso país. Certa vez um escritor baiano me falou que com o Xaxado eu jamais iria fazer sucesso, por ser nordestino. Graças a Deus a previsão dele não se concretizou. 7) Oficina HQ: Ainda sobre essa questão de produção nacional... conta pra nós como veio a idéias dos seus personagens. Onde você começou a publicar? E hoje? Como seu trabalho é visto pela população? Cedraz: Quando saí do banco, procurei o Sérgio Mattos, na época editor do caderno municípios de A Tarde. Ele então me solicitou uma tira sobre o interior e eu me lembrei do Xaxado. Um personagem que eu tinha na gaveta. Imediatamente fiz algumas tiras e ele começou a publicar duas vezes por semana. O sucesso veio logo e negociei para que ele saísse diariamente no caderno 2. Então comecei a dar vida aos outros personagens. Nessa fase eu já contava com o Sidney e o Tom Tom. Hoje o Xaxado está em livros, apostilas, jornais, inclusive em Porto Alegre, faculdades, escolas e em um monte de lugares. Só falta alguma empresa se interessar e licenciar a turminha. Parece mentira, mas as histórias do Xaxado agradam tanto a criança como adulto. Recentemente uma mãe me falou que quem ler as historinhas do Xaxado se apaixona. 8) Oficina HQ: Você produz suas revistas ou é alguma Editora que faz isso? Como é que funciona isso profissionalmente? Cedraz: A Editora Escala da S. Paulo já publicou Três séries de revistas – Turma do Xaxado em quadrinhos (saíram 5 números), Brincadeiras da Turma do Xaxado (saíram 13 números e Colorindo a Turma do xaxado (14 números). Atualmente tive que criar uma editora para editar meus livros. A coisa funciona assim: Produzo as histórias e tiras e depois lanço em liros. As vezes conto com apoio do Programa Fazcultura do Governo e as vezes publico com meu próprio dinheiro. As vendas se fazem em feiras de livros, escolas e atualmente estamos colocando em livrarias. Pretendo também fazer revistas de circulação nacional e também fazer distribuição dos livros para todo o Brasil. 9) Oficina HQ: Aqui em Salvador existem poucos artistas, profissionais, que eu saiba, desenvolvendo trabalho voltado para quadrinhos. Além de você, tem o Luis Augusto que faz o Fala Menino. Tem o Gutemberg Cruz que trabalhou muito estimulando essa arte. Você dialoga com esses profissionais? Conhece outros com quem possa estar discutindo, trocando idéias? Cedraz: Além desses amigos que você falou nós temos outros bons artistas; Flávio Luiz, Leônidas Grego, Davi Sales, Paulo Setúbal, Sidney Falcão, Hector Salas e muitos outros que esperam uma oportunidade. Sou amigo de todos e sempre procuro conhecer novos colegas. Estou sempre aberto para conversar e trocar idéias. |
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10) Oficina
HQ: Há exatamente 2 anos, o Oficina HQ, esse projeto cultural
que tem o objetivo de promover 11) Oficina
HQ: Você tem um estúdio hoje com uma equipe. Conta
pra nós como funciona o estúdio. Quando 12)
Oficina HQ: Sabemos que você já foi bastante premiado.
Conta pra nós alguns dos prêmios e como os 13) Oficina
HQ: Você lê atualmente, algum trabalho de quadrinhos?
Qual? 14) Oficina
HQ: Cenário atual: Frank Miller no cinema; o mundo descobrindo
os Mangas; a globalização 15) Oficina
HQ: Muito obrigado pela entrevista. Gostaríamos que você
finalizasse essa entrevista com um Cedraz:
Quem agradece sou eu. O recado é o seguinte; Desenhe sempre, procure
mostrar seu trabalho para |