+ Baú
 
O Tico-tico


Em 11 de outubro de 1905 nasce a revista infantil
pioneira no Brasil, publicada pela Editora “O Malho”.
Segundo Maria Cristina Merlo (Professora da
Anhembi-Morumbi e na USP), pesquisadora que
realizou tese sobre a Revista, a idéia inicial em
criar a publicação infantil foi do desenhista Renato
de Castro e dos jornalistas de O Malho, Cardoso
Júnior e Manuel Bonfim. Eles fizeram a proposta
para o fundador da revista O Malho, Luis Bartolomeu.

Tinha muitos personagens estrangeiros copiados. Chiquinho era um deles (cópia
de Buster Brown, criado por Outcault em 1902), mas quase ninguém sabia disso.
A adaptação do personagem à realidade brasileira foi tão bem feita que o público
encantou-se rapidamente com suas estripulias.


Os personagens ficaram, literalmente, nas mãos do paulistano Luis Gomes Loureiro,
que decalcava as histórias americanas em papel telure (papel de seda) para
impressão litográfica. Então Buster Brown virou Chiquinho e Tige virou Jagunço.
O próprio Loureiro conta numa entrevista à Revista da Semana (31/03/1945):
"As histórias, porém, eram todas baseadas em argumentos brasileiros. E eu
procurava dar-lhes sempre um cunho moral e patriótico. Para que elas se
tornassem ainda mais brasileiras, resolvi encaixar-lhes outro personagem típico...
... o terrível Benjamin, o negrinho que tinha sempre os planos mais demolidores
para as molecagens da turma. O trio fazia das suas!".



A revista, cujo nome foi inspirado no passarinho revelou grandes artistas nacionais
como Angelo Agostini, Vasco Lima, Luis Gomes Loureiro, João Ramos Lobão, Álvaro
Marins, Alfredo Storni, Leônidas A. Rocha, J. Carlos, Cícero Valadares, Theo, Lino
Borges, Luiz Sá, Max Yantok, Carlos Thiré, Paulo Affonso, Miguel Hochmann, Giselda
Melo, Nino Borges, Waldir Moura, Edmundo Rodrigues, Percy Deane e Messias de
Mello, que viria a ter um importante papel na Gazetinha. A partir da década de 30,
a entrada dos comics norte-americanos no País daria início a uma concorrência
para O Tico Tico, que não se renovava. No início dos 60, foram publicadas
apenas almanaques, até O Tico Tico sumir.



Fonte:
- Artigo de Álvaro de Moya
(http://www.mre.gov.br/cdbrasil/itamaraty/web/port/comunica/quadrin/public/ticotico/apresent.htm)
- Site www.bigorna.net (Entrevista: Maria Cristina Merlo)
- Site: http://www.ccqhumor.com.br/artigos01a05/hq-buster%20brown.htm