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Henfil - 1


O humor de guerrilha


"O humor que vale para mim é aquele que dá um soco no fígado de quem oprime" (Henfil, em "O Rebelde do Traço - a Vida de Henfil", Dênis de Moraes, José Olímpio Editora, Rio, 1997).

Henrique de Souza Filho, Henfil , nasceu a 05 de fevereiro de 1944, em Riberão das Neves (MG) e faleceu a 4 de janeiro de 1988 no Rio de Janeiro, aos 43 anos. Iniciou sua carreira como cartunista, quadrinhista, foi colaborador de O Pasquim (1969).

Em 1970 lançou a revista Os Fradinhos, seus personagens mais famosos e que possuem sua marca registrada: um desenho humorístico, crítico e satírico, com personagens tipicamente brasileiros e que retratavam a situação nacional da época. Sua importância na História em Quadrinhos no Brasil se deve à renovação que trouxe ao desenho humorístico nacional. Henfil atuou, ainda, em teatro, cinema, televisão e literatura, tendo sido marcante sua atuação nos movimentos políticos e sociais do país.

O cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, criador de personagens geniais como os Fradins (particularmente o Baixinho), da Graúna, Zeferino, Bode Orelana, Orelhão, Urubu, Pó de Arroz, Bacalhau, e Ubaldo, o Paranóico (outra genial caracterização do comportamento de militantes reformistas atemorizados ante a ditadura militar), completaria 60 anos no dia 5 de fevereiro. Seu traço e humor ferinos foram uma marca da luta contra a ditadura. E ele não atuou somente na imprensa, mas também na televisão, onde capitaneou, no programa TV Mulher, da Globo, o quadro TV Homem. cartunista Henrique de Souza Filho, o Henfil, criador de personagens geniais como os Fradins (particularmente o Baixinho), da Graúna, Zeferino, Bode Orelana, Orelhão, Urubu, Pó de Arroz, Bacalhau, e Ubaldo, o Paranóico (outra genial caracterização do comportamento de militantes reformistas atemorizados ante a ditadura militar), completaria 60 anos no dia 5 de fevereiro. Seu traço e humor ferinos foram uma marca da luta contra a ditadura. E ele não atuou somente na imprensa, mas também na televisão, onde capitaneou, no programa TV Mulher, da Globo, o quadro TV Homem.

Então diretor da revista mineira Alterosa, o jornalista Roberto Drummond (autor do best-seller "Hilda Furacão"), mandou chamar aquele revisor que só ficava fazendo desenhinhos no expediente. Eram cartuns meio humor negro, sobre um suicida que pulava do prédio de guarda-chuva para não se molhar.

- Vou te transformar em cartunista da "Alterosa".

- Mas já no próximo número?

- Sim. Você vai ganhar dez vezes mais. Mas temos que escolher um nome para você assinar os desenhos. Qual é o seu nome todo?

- Henrique de Souza filho. Eu podia assinar Henriquinho, como todos me chamam.

- Nada disso. Você vai assinar Henfil. Hen de Henrique e Fil de Filho.

Roberto Drummond parecia entender mesmo de furacões. Aquele rapaz se tornaria um dos cartunistas mais cáusticos e brilhantes da sua geração. O traço era agressivo mas ao mesmo tempo transparente, inacabado, uma caligrafia nervosa dotada de incrível poder de expressão, que transmitia plenamente a idéia de movimento e podia representar as expressões mais sutis dos personagens.

O grosso da carreira de Henfil deu-se dentro do regime militar 1964-1985, e da sua prancheta defendia um engajamento radical e sem concessões contra a ditadura, exceto quando era possuído pelo sádico personagem Baixim e simplesmente fazia uma catarse apolítica e amoral.

A militância política vem da família. O irmão mais velho Betinho (o sociólogo Herbert de Souza) foi o seu mentor ideológico. Depois de fazer parte da Juventude Estudantil Católica - JEC (cuja estratégia de aliciação incluía bailinhos organizados pelos irmãos Souza), Betinho foi um dos fundadores da organização marxista Ação Popular (AP), da esquerda católica. Exilado atuante, era ele o "irmão do Henfil" que Elis Regina cantava no hino da abertura "O Bêbado e a Equilibrista" ("Meu Brasil / que sonha / com a volta do irmão do Henfil"). Também uma irmã e um cunhado pertenciam a organizações de esquerda. O cartunista ainda teve forte atuação nos debates que precederam a anistia, a fundação do PT (o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o trabalho de Henfil foi fundamental na sua formação política) e na campanha das Diretas-Já. Fez oposição à Tancredo Neves na sucessão presidencial ("Não Senhora! O Maluf não é tão feio quanto se pinta. (...) Quem é este superdemônio? (...) Atenção todas as viaturas! Larguem o Maluf de Tróia! Pau no Colégio Eleitoral! Diretas nele!!!" Henfil, "Diretas Já!", Editora Record, Rio de janeiro, 1984).

Quando Henfil aterrissou no Pasquim em 1969, em dez semanas tornou-se nome consagrado a ponto de rivalizar com a constelação de estrelas locais: Jaguar, Ziraldo, Millôr, Claudius, Fortuna e Paulo Francis. O incrível sucesso editorial do tablóide (de iniciais 14.000 exemplares chegou a 200.000 no número 27) não foi, infelizmente, acompanhado de sucesso comercial, uma vez que, segundo Jaguar, o dinheiro acabava indo todo para a Escócia - não por culpa de Henfil, que sempre tomava água ou refrigerante por conta dos cuidados com a doença que afligia os irmãos Souza desde o berço.

Henfil e Betinho nasceram com hemofilia, doença que atingia também o irmão Chico Mário, compositor. Há quem associe a violência do ímpeto criador do chargista à ânsia de viver, sentida por todo hemofílico que corre constantemente perigo de vida. Um pequeno corte ou sangramento na gengiva podem se converter em hemorragias fatais. Depois de atravessar a vida driblando aqui e ali a doença hereditária, contraiu o vírus do HIV numa transfusão de sangue, numa época em que a AIDS estava começando a ser compreendida. Henfil morreu em 1988 com apenas 44 anos incompletos.

Das inúmeras criações de Henfil - torcedores para a imprensa esportiva, operários para a imprensa sindical, paranóicos como Ubaldo e patrulheiros ideológicos como o Cabôco Mamadô, que mandava as personalidades solidárias ao regime ou alienadas para o Cemitério do Mortos-Vivos - os personagens mais elaborados e perenes são, sem dúvida, os Fradinhos e o trio Zeferino, Graúna e Bode Orelana.



Fonte: Sites http://www.omalaco.hpg.ig.com.br/cinco/syndicate.htm
http://sampa3.prodam.sp.gov.br/ccsp/gibiteca/henfil.htm