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Você sabe, realmente, como identificar um Mangá?
pesquisado por Wilton Bernardo

Mesmo dedicados a públicos diversos e com temáticas que variam, a maioria dos quadrinhos japoseses mantém características típicas do gênero.
Paleta Econômica
Apesar de alguns mangás utilizarem cor, a imensa maioria deles é desenhada em preto-e-branco. A opção não passa, necessariamente, por critérios estéticos. Deve-se muito mais ao custo de produção dos mangás. Feitos apenas com traços pretos sobre um fundo branco ou, no máximo, em duas cores, eles podem ser vendidos a preços baixos. Uma revista preto-e-branco de quase 400 páginas custa, no japão, quase a metado do preço de um mangá de 65 páginas no Brasil.
Figuras estilizadas
Embora haja variações nos quadrinhos mais recentes, em geral os traços usados nos mangás são limpos e estilizados. Os personagens, por exemplo, têm muitas vezes a mesma aparência: olhos grandes e redondos, quixos e narizes pequenos, cabelos espetados e rosto desproporcionalmente maior do que o corpo. A tradição vem desde Osamu Tezuka(1928-1989), um dos inventores da linguagem do mangá.
Narrativa cinematográfica
Sequências superdetalhadas são uma marca dos cartoons japoneses, que usam vários quadrinhos para retratar mudanças de expressão dos personagens e alterações de cenário. Em filmes adaptados de mangás, a decupagem da historinha chega a ser transposta sem mudança para a tela. O mangá Crying Freeman serviu de storyboard para o filme O Combate às Lágrimas do Guerreiro (Cristophe Gans, 1995).
O tempo não pára
Ao contrário dos quadrinhos americanos, que mantêm os personagens de revistas populares sempre na mesma idade, vivend histórias que não se alteram com o tempo e que podem nunca terminar, as séries de mangá sempre têm fim. O sucesso Lobo Solitário durou seis anos, de 1970 a 1976. E até os personagens mais queridos estão sujeitos à passagem dos anos: Goku, da série Dragonball, casou, teve filhos, envelheceu e morreu.
Genitais proibidos
As editoras japonesas de mangá têm por princípio não publicar desenhos de genitais masculinos ou femininos, mesmo em cenas de sexo e em revistas para adulto. Retratar os pêlos pubianos é o máximo da ousadia permitida. Para driblar a limitação, os cartunistas costumam usar a criatividade, colocando os balões de diálogo sobre os órgãos sexuais dos personagens ou enquandrando as cenas de forma que eles não apareçam.

Fonte: Revista Bravo dez/2004
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